Inconfidência Mineira: Causas, Desfecho e Resultado

O quadro retrata “O Martírio de Tiradentes”

A Inconfidência Mineira – também chamada de Conjuração Mineira – não foi o primeiro nem o último movimento que criticava a administração portuguesa e pedia a independência do Brasil, mas com certeza é o mais lembrado.

Apesar de ter fracassado, a Inconfidência Mineira deixou contribuições que vão muito além de um feriado de Tiradentes.

Veja quais foram as causas e desfecho da Inconfidência Mineira, como o movimento foi organizado, o que aconteceu com Tiradentes, porque e como ele morreu?

Causas da Inconfidência Mineira

Desde o final do século XVII, havia intensa exploração de ouro na capitania de Minas Gerais.

Entretanto, boa parte deste ouro ia para Portugal – 20% de tudo que era extraído, ou um quinto, e mais um imposto anual chamado Derrama, que deveria ser pago por todos os habitantes das Minas até atingir uma meta – caso esta meta não fosse atingida, os bens da população eram confiscados.

E, porque a extração em Minas e a agricultura em outras regiões eram atividades lucrativas, Portugal proibiu a criação de indústrias no Brasil.

Como a capitania era próspera, a população aumentou muito. Uma parcela desta população era composta de profissionais liberais, não envolvidos diretamente com a extração do ouro.

Estes profissionais, que eram médicos, advogados, artistas, jornalistas, padres e outros, em geral iam estudar fora dos vilarejos mineradores, e era então que tomavam contato com os ideais iluministas e também ficavam informados sobre a Revolução Americana, que culminou com a independência dos Estados Unidos em 1776.

Os ideais iluministas de liberdade e contestação do poder do rei, bem como o exemplo bem-sucedido da independência dos Estados Unidos, surgiram como soluções excelentes para um povo bastante descontente com a exploração de Portugal.

Organização do Movimento

Em 1788, críticas ao governo foram feitas nas Cartas Chilenas, escritas sob um pseudônimo pelo escritor Tomás Antônio Gonzaga. Tomás foi apenas um dos cerca de 60 homens que participaram da Inconfidência Mineira.

Uma vez que a maioria dos envolvidos tinha empregos importantes, boa renda e alto nível de escolaridade, pode ser dito que a Inconfidência foi um movimento de elite.

Sendo um movimento de elite, os inconfidentes não planejaram a abolição da escravidão. Eles pretendiam, na verdade, declarar a independência de uma pequena área de terra correspondente às capitanias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

A partir disso, seria proclamada uma república, a região seria industrializada e uma universidade seria fundada em Vila Rica, uma das maiores vilas de Minas Gerais.

O plano era que a luta pela independência começasse assim que Portugal decretasse uma nova Derrama, mas o movimento foi traído antes disso.

Entretanto, uma herança da república jamais iniciada permanece: a atual bandeira de Minas Gerais foi idealizada pelos inconfidentes.

Desfecho da Inconfidência Mineira

Joaquim Silvério dos Reis, membro do movimento, contratador (ou cobrador de impostos) e grande devedor para a Coroa, entregou os demais inconfidentes com a promessa de que suas dívidas seriam perdoadas.

Ao descobrir os planos dos inconfidentes, a Derrama foi suspensa pelo Visconde de Barbacena, então governador da capitania de Minas Gerais, e estabeleceu-se uma investigação.

A maioria dos inconfidentes recebeu punições medianas. Tomás Antônio Gonzaga foi expulso do Brasil e mandado para a África. Outro escritor, Cláudio Manoel da Costa, morreu na prisão em Vila Rica. Outros foram mandados à prisão em Portugal, e outros ainda foram absolvidos.

As casas dos inconfidentes foram destruídas e o terreno delas foi salgado. O salgamento era um ato simbólico, indicando que nada cresceria naquelas terras durante muitos anos.

O Líder da Inconfidência Mineira de 1789

A maioria dos inconfidentes era da elite, mas havia algumas exceções. Uma delas era o alferes Joaquim José da Silva Xavier.

Ele e outros 11 inconfidentes foram condenados à morte em 1792, mas todos os 11 foram perdoados, e apenas Tiradentes foi executado, por enforcamento, no Rio de Janeiro, e esquartejado, tendo as partes de seu corpo expostas no caminho entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, para servir de exemplo aos que quisessem causar novas agitações.

Mas por que apenas Tiradentes foi morto?

Porque, durante as investigações, ele foi o único que não apenas confirmou sua participação na Inconfidência, mas também assumiu a liderança do movimento. E, mais uma vez, era necessário punir ao menos um para dar o exemplo.

Tiradentes foi esquecido por um século, até a proclamação da República em 1889. Os líderes do novo governo precisavam de novos heróis nacionais e novos símbolos para a República.

Por ter lutado e morrido pela independência do Brasil, Tiradentes passou a ser visto e referido como “mártir da independência” e essa construção passou por sua própria imagem.

Veja a pintura abaixo. O quadro retrata “O Martírio de Tiradentes”, entretanto, ele foi pintado mais de 100 anos após a execução de Tiradentes.

O quadro retrata “O Martírio de Tiradentes”

O pintor, Aurélio de Figueiredo, escolheu retratar Tiradentes à maneira que se retrata Jesus Cristo: com barba e cabelo compridos, pele clara e olhar altivo, sem medo – o que não foi visto como problema, pois não se sabe quais eram de fato as características físicas de Tiradentes.

Letícia Magalhães Pereira
Sobre Letícia Magalhães Pereira 20 artigos
Letícia Magalhães é historiadora e pós-graduada na área de Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.

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